Dubai

Depois de 6 meses em Moçambique, visitar o Dubai é o que se chama dar uma grande volta. De África para o Médio Oriente. Da atmosfera local para a global. Do horizonte verde e desimpedido para a aridez de um deserto cultivado de arranha-céus. Do natural para o organizado. Da dificuldade em produzir para a facilidade em consumir. De um extremo do desigual para o outro vai uma grande volta.

Aterrámos no Aeroporto Internacional do Dubai, um dos Aeroportos mais movimentados de sempre. Há pessoas de tantas cores, marcas berrantes de lojas impecavelmente cuidadas, muitos perfumes no ar de gente muitíssimo aprumada, enormes luzes a brilhar em chão limpo, estruturas novas, modernas, mantidas, tudo aquilo que não víamos há meses…

O lugar e as pessoas

O Dubai é um lugar do Mundo, mas também é o Mundo num só lugar. Situado no deserto da Arábia, o árabe é a língua oficial, mas ouvem-se aqui dezenas de outros idiomas, especialmente asiáticos. O inglês, claro, é a língua que todos falam.  

Dos 7 Emirados Árabes Unidos (EAU), o Dubai é o mais populoso, com mais de 3 milhões de habitantes, sendo cerca de 90% estrangeiros. Por isto mesmo, o Dubai é um lugar multi-cultural, e, portanto, também multi-religioso.

Religião

A religião oficial do país é o Islamismo. Mesquitas e os seus imames são largamente financiados pelo governo central. As restantes religiões e fés podem ser praticadas e professadas livremente, no seu templo próprio, estando, no entanto, proibidas de realizar quaisquer atividades de divulgação ou pregação pública das mesmas, já que essa é considerada uma conduta ofensiva ao Islão e devidamente punida.

De onde vem a riqueza?

Se durante décadas o crescimento económico do Dubai se baseou na descoberta e exploração de petróleo e gás natural, hoje em dia a realidade é outra. Inteligentemente, o Dubai diversificou a sua economia em investimento imobiliário e turismo.

É simples, a cidade do Dubai propõe-se a realizar os projetos de imobiliário e arquitetura mais modernos e arrojados do Mundo, como arquipélagos artificiais, hotéis de luxo, centros comerciais e arranha-céus. Isso atrai visitantes, marcas, empresas, investidores e recursos humanos talentosos de todo o Mundo. Desta forma, o Dubai paga a sua globalidade, e o retorno está à vista: uma das cidades mais ricas, mais caras e com maior poder de compra do planeta Terra.

O Dubai também dá cartas como zona franca em diversos sectores de indústria e serviços. As maiores organizações de tecnologia, produtos financeiros e comunicação social, procuram instalar-se por aqui e beneficiar destes oásis fiscais criados especificamente para estimular as suas indústrias na região.

 Autoridade e liberdade

Apesar da liberdade económica que existe neste Emirado, outras liberdades não são garantidas.

Os EAU organizam-se como uma federação de monarquias absolutas hereditárias. Dubai e Abu Dhabi têm poder de veto no Conselho Supremo da União, que une os 7 Emirados numa nação. O atual governante do Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, é também o vice-presidente e primeiro-ministro do país. Direta ou indiretamente, os Emires de cada Emirado controlam o poder executivo, legislativo e judicial do país, num sistema fechado de nomeação de representantes para os vários órgãos de poder.

Algumas normas legais e/ou sociais dos EAU, fizeram-nos refletir acerca do sistema político e legal do país: chamadas vídeo ou áudio via internet interditas (teoricamente para proteger a industria de telecomunicações local); separação de rapazes e raparigas na escola e de homens e mulheres em vários lugares (metro, mesquita, etc.); criminalização da homossexualidade (punível até pena de morte ou deportação); criminalização da demonstração de afetos por casais em público; proibição do consumo de bebidas alcoólicas (estrangeiros podem fazê-lo em alguns hotéis, em casa ou em raros lugares licenciados), etc.

Transportes

Os transportes públicos aqui são razoáveis. O mais utilizado é de longe o táxi, que não é caro (comparando com os preços locais) e leva-te a todo o lado. Autocarros são bons e muitos, mas é uma opção demorada, com muitas paragens, que serve melhor a população residente do que o turista. O metro é moderno, limpo e bem equipado, mas as linhas ainda não cobrem uma área muito extensa, pelo que este meio de transporte não é uma opção para circular por toda a cidade.

O que visitámos:

  • Dubai Mall: Chovem 3 vezes por ano no Dubai, e nós presenciamos uma dessas vezes. Wooohooo, Dubai Mall aqui vamos nós! Passámos lá um dia inteiro, o que não é difícil tendo em conta o tamanho do maior centro comercial do Mundo (até um aquário têm no seu interior!). Deu jeito para fazer compras em lojas oficiais de algumas coisas que precisávamos para a viagem;
  • Espetáculo das Fontes Luminosas: Na zona exterior do Dubai Mall, em frente ao Burj Khalifa acontece de dia e de noite um espetáculo de água, luz e som que dura cerca de 10 minutos e que vale a pena assistir estando por lá. PS: De noite é francamente melhor;
  • Gold Souk, Spice Souk e Textile Souk: No que se chama o distrito Deira, vários mercados estão divididos por categorias dentro do mesmo bairro. O Gold Souk é especialmente impressionante precisamente pela enorme quantidade de peças em ouro que se podem ver e quem sabe comprar por um bom preço;
  • Mesquita Jumeirah: Vale a pena visitar esta mesquita sublime e ficar uns minutos do lado de fora a observar o ritual de entrada para as orações;
  • Burj Al Arab: É um hotel de luxo (7 estrelas) que se parece com a vela de um barco, é mais alto que a Torre Eiffel e foi construído sobre uma ilha artificial. É um dos ícones da cidade. Ficámos a avistá-lo desde a Kite Beach já que a Jumeirah Beach (de onde se pode avistar o hotel mais de perto) estava encerrada para obras;
  • Palm Jumeirah e Atlantis Resort: A Palm Jumeirah é uma ilha artificial construída em forma de uma palmeira. Este megaprojeto abriga zonas residenciais com praias e marinas particulares, hotéis e resorts de luxo, sendo o mais famoso o Atlantis, The Palm. Neste resort podes ficar hospedado num quarto com vista para um aquário com mais de 65000 animais marinhos, comer pratos cozinhados pelos chefes mais conceituados do Mundo, divertires-te num parque aquático e muito mais. O monorail da ilha foi inaugurado em 2009 e é o meio de transporte mais utilizado para alcançar a zona do Atlantis Resort. O passeio marítimo da Palm Jumeirah é um bom lugar para assistir o pôr do sol;
  • Dubai Marina: Agradável para passear ao fim da tarde, jantar e fumar shisha. Um empreendimento residencial enorme em torno de uma marina dá a este lugar um charme chique;
  • Burj Khalifa: É o maior edifício do Mundo com 828 metros de altura e 160 andares recheados de apartamentos e escritórios a valerem pelo menos 40.000 dólares o metro quadrado. A sua construção custou 1.5 mil milhões de dólares. Diariamente, milhares de turistas visitam o topo deste edifício-montanha. A subida pode ser feita até ao andar 124 e 125 (+-35€) e na nossa opinião é mais que suficiente para ter uma vista de 360º e poder admirar a cidade lá de cima. É possível subir a andares superiores mas, por um preço muito superior;
  • Praia La Mer: 2,5 Km de uma mistura de areia com lojas, restaurantes, opções de lazer e entretenimento. Não é o nosso conceito de praia;
  • Passeio pelo Bairro Residencial Jumeirah: Para ter um feel do que é a vida mais local da classe média-alta e alta, maioritariamente composta de estrangeiros. Reparámos que aquelas residências que tinham a bandeira dos EAU içada, tinham sempre a porta aberta, um costume árabe que simboliza transparência e recetividade para com qualquer visitante.

Onde dormimos:

Ficámos hospedados no Ibis Styles Dubai Jumeira, um dos mais acessíveis da cidade e, como hotel de cadeia internacional que é, não nos desapontou.

Os dias correram acelerados num lugar tão desenvolvido e com tantas possibilidades de entretenimento e de consumo. Completamente embrenhados em tudo o que o Dubai tem para oferecer só mais tarde nos conseguimos distanciar o suficiente para refletir sobre a nossa rápida passagem nesta cidade.

Não sabemos bem se por termos vindo de Moçambique, se por ser mesmo verdade…O Dubai é uma espécie de Disneyland para adultos só que sem a graça da imaginação. Em vez de pagarem para voar em montanhas-russas, passear por cenários irreais e contactar com personagens fantásticas, os visitantes pagam para comer a oferta dos maiores edifícios, hotéis e centros comerciais do Mundo. A isto podemos chamar de turismo de consumo, superficial e caro porque sim. O que interessa verdadeiramente não é o lugar, ou as pessoas, mas sentir que estamos no qualquer-coisa-maior-do-Mundo e que podemos pagar para ter o que quisermos: pagar 60 euros para ver tubarões num aquário em frente à loja de roupa da nossa marca preferida, comer dois hambúrgueres por 50 euros no centro comercial do Atlantis Resort na Palm Jumeirah ou beber um expresso banal num lugar banal por 4 euros. Tudo isto porque estamos em Marte… isto é, no Dubai. Ainda assim, vale a pena ter a experiência uma vez na vida e retirares as tuas próprias conclusões.

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