Zanzibar

Foi neste pequeno paraíso que começámos a segunda parte desta aventura de um ano. Merecido descanso após 6 meses em missão. Arrumar a cabeça. Arrumar o coração. Encontrar família. Embarcamos para pôr o pé no Mundo.

Zanzibar tem muito de especial. Para além de Freddie Mercury ter nascido aqui, é um arquipélago paradisíaco, cobiçado por vários povos ao longo dos tempos. Hoje em dia é um estado semi-autónomo, com Presidente e Assembleia próprios, que integra a Tanzânia.

A história num parágrafo. Foi batizado Zanzibar – “costa dos negros” – por árabes há 900 anos atrás, e rapidamente se tornou num importante porto comercial de especiarias, escravos e marfim. Depois vieram os europeus, e foi Vasco da Gama o primeiro deles a visitar a ilha. Durante 200 anos os portugueses dominaram o território e o seu comércio. Mais tarde, o Sultão de Omã entrou em conflito e expulsou os portugueses. Zanzibar continuou a crescer em importância comercial para a Índia, para o Mundo árabe e para o Mundo europeu. Mais recentemente, há pouco mais de 100 anos, vieram de novo os europeus, desta vez pelos ingleses que fizeram de Zanzibar um seu protectorado. Só em 1963 o arquipélago se tornou independente e juntou-se ao país Tanganica, fazendo nascer a Tanzânia. Convencidos da importância histórica de Zanzibar?

Ficámos uma semana na ilha principal, Zanzibar, que dá nome ao arquipélago. Decidimos que a melhor forma de conhecer Zanzibar era começando pela capital, Stone Town, onde ficámos 2 dias. Depois, explorar o lado mais paradisíaco e selvagem da ilha a Norte, em Kendwa (2 dias), e a Este, em Jambiani (3 dias).

Stone Town

Stone Town é muito mais interessante do que parecia à primeira vista. A mistura histórica e étnica que é a cidade de Pedra (porque é mesmo toda construída em pedra de coral) faz-se ver e sentir na arquitetura, religião e gastronomia. Isto é tão verdade que, para além de todo o Arquipélago, especificamente Stone Town é Património Mundial da Unesco.

A economia local está totalmente virada para o turismo, portanto a abordagem fortuita na rua para comprar artesanato, entrar em restaurantes e conhecer as tours dos operadores turísticos é qualquer coisa de muito, muito frequente. Há que aprender a lidar com essas abordagens constantes com naturalidade, paciência e humor, ou então corre-se o risco de mandar rapidamente alguém à merda, o que não parece ser boa ideia.

Em Stone Town, a religião dominante é o Islamismo. Há 52 mesquitas, uma igreja católica e uma igreja anglicana. As chamadas para a oração, as ruas estreitas, o comércio artesanal e o vestuário dos locais levam-nos ao Mundo árabe. A cidade faz lembrar Marraquexe, e também faz lembrar os recantos de Sevilha, só que está paradisiacamente plantada no Oceano Indíco com um clima tropical húmido. Isso é mágico. Fora do centro da cidade velha, saímos um pouco deste mundo árabe e encontramos os bairros onde habitavam os europeus e indianos influentes ligados ao comércio local de Zanzibar. Muitos destes edifícios foram convertidos em lindos e luxuosos hotéis ou casas do governo local. O famoso Freddie Mercury, nascido Farrokh Bulsara, era exatamente descendente de uma dessas famílias de ascendência indiana, e morou até aos 8 anos nestes bairros.

O que visitámos:

  • Forodhani Gardens: Muito giro para passear ao final do dia, assistir ao fantástico pôr-do-sol africano e provar as típicas Zanzibar pizzas. Ao lado dos jardins há uma praia que se enche de gente ao final do dia. Entre pescadores que regressam de mais um dia de trabalho e jovens que fazem mergulhos acrobáticos para o mar. Este é um lugar com uma boa vibe;
  • House of Wonders: O primeiro edifício com luz eléctrica e elevador em Zanzibar e também o mais alto de Stone Town. Infelizmente estava em obras e só nos foi possível ver a grande torre do relógio do exterior;
  • Old Fort: É o edifício mais antigo de Stone Town. No interior tem um grande anfiteatro construído recentemente para albergar o Festival Internacional de Cinema de Zanzibar. Numa tour guiada poderão encontrar ainda ruínas de construções árabes e portuguesas;
  • Jaws Corner: O canto dos judeus, onde hoje em dia não parece existir nenhum, mas ficou o canto. Mesmo no centro da parte velha da cidade, onde a população local, especialmente os homens, se reúne para conviver;
  • Darajani Market: Experiência de mercado local confuso e barulhento com street food típica;
  • Old Slave Market: Muito interessante conhecer o que foi a realidade de um tráfico desumano de pessoas que durou tantos séculos. Infelizmente já o apanhámos a fechar, ainda assim conseguimos entrar rapidamente para ver as minúsculas celas subterrâneas onde ficavam centenas de escravos antes de serem selecionados e vendidos (assustador).

Mais do que ir à procura dos pontos-chave da cidade, perde-te pelas infinitas e estreitas ruelas que configuram a cidade velha. Esse é o verdadeiro encanto de Stone Town.

A Spice tour é talvez a tour organizada que vale mais a pena fazer. Dura cerca de 3 horas, e acontece nos arredores da cidade, onde estão vários produtores locais de especiarias e as suas plantações. Tocar as sementes, conhecer as árvores, e cheirar os frutos daquilo que é a matéria-prima que dá origem a tantos temperos, medicamentos, perfumes, óleos e produtos de beleza, é no mínimo fascinante. Aprende-se muito em pouco tempo. Cravinho, canela, as pimentas de tantas cores, noz-moscada, café, gengibre, baunilha, ervas aromáticas com nomes esquisitos e enormes jacas do tamanho de várias bolas de rugby… É uma óptima oportunidade de experimentar e conhecer especiarias, caminhar pela floresta húmida e apoiar o desenvolvimento das comunidades locais!

Durante a nossa estadia em Stone Town ficámos hospedados no Hostel Bottoms Up. Barato mas muito fracote.

Kendwa

Kendwa fica na zona norte da ilha. E aqui não há que complicar muito. O lugar está mais que preparado para o turismo de resort. É escolher o resort que agrada e convém, e fazer a melhor praia que existe. Típico paraíso de praia: água calma, quente e azul, areia fina e branca. Aqui o sol põe-se no mar, o que é raro em toda costa oriental de África. É portanto de aproveitar para assistir a esse espetáculo único do sol africano atravessado por dhows (veleiros típicos) que navegam um cenário esmagador.

Fizémos snorkeling em Mnemba Island. Aqui o recife é rico em corais vivos, anémonas gigantes e peixe míudo. Incríveis também são as grandes tartarugas do Índico, às quais não poderão ficar indiferentes, isto é, se as conseguirem ver.

Em Kendwa caprichámos e ficámos hospedados no famoso Kendwa Rocks Resort. Muito bom. Desde os quartos mais acessíveis e simples aos mais sofisticados. São precisos apenas poucos passos ao sair do quarto para estar com o pé na areia. Depois é só escolher onde preferes mergulhar, se no mar, se na piscina. Existe um restaurante ao lado da piscina aberto desde o pequeno-almoço até ao jantar pelo que nem precisas de sair do recinto do resort.

Jambiani

Jambiani fica na costa Este da ilha. Aqui é possível fazer um misto de turismo de praia e contacto com a população local. Pode dizer-se que comparativamente com Kendwa ainda está num estado mais inexplorado, o que traz muitas vantagens, como a genuinidade do lugar e das pessoas, os preços menos inflacionados, e uma paisagem mais selvagem preservando a beleza original de um paraíso à beira-mar.

Juntamente com a atividade turística dos hotéis e resorts, a população local ocupa-se das suas plantações de algas, do seu gado e da pesca. A maré vazia aqui é mesmo muito vazia, e esse é o segredo para os produtores de algas trabalharem. Impede os banhistas de irem à água durante esse tempo, já que o mar foge para longe do areal da costa. Para compensar, e porque a maré vazia é tão vazia, o resultado é que quando a maré enche a água está a escaldar, o que é absolutamente fantástico.

Dica: CUIDADO com os ouriços do mar. São muitos e é fácil não os veres. Poupa-te a essa dor intensa de os pisar e ao trabalho dos tratamentos locais com “leite” de papaia verde. Nada de grave, mas evitável. 

Nos arredores vale a pena visitar o Jozani National Park, o único de Zanzibar, que para além de conter uma enorme diversidade de árvores, plantas, aves, borboletas e ecossistemas únicos (manguezais – mangroove forest) é a casa que conserva os Colobus Vermelhos, cerca de 1000 macacos simpáticos de cauda vermelha que existem apenas e só em Zanzibar.

Em Jambiani ficámos hospedados no Nyumbani Residence. Como éramos 4 partilhámos uma casa. Simples mas confortável e do estilo self-catering o que nos permitiu cozinhar e poupar uns trocos. A piscina fica a poucos passos e um mergulho no mar fica apenas a 10 minutos a pé.

Saímos de Zanzibar renovados para uma expedição ambiciosa que aí vem…

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